Cabeçalho

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"A África que você viu em Black Panther não é África para Africanos” Isidro Fortunat



Não dá para imaginar qualquer civilização em África sem uma base cultural filosofica UBUNTU, nem uma civilização Africana sem UJAMAA ou UMOJA, sem socialismo Afrikano que são as bases culturais das filosofias Africanas, representatividade cultural Africana na ordm dos 100%, representatividade filósofica 40%.

Apesar de o filme Pantera negra celebrar um evento novo na história do cinema de Hollywood na questão de representatividade para pessoas negras, a representatividade cultural a riqueza nos detalhes históricos tradicionais, o mosaico linguistico dos povos Africanos, e uma atmosfera repleta de espiritualidade e energia ancestral, quando analisamos o filme mais afundo existem detalhes que não podem ser ignorados, no entanto devo dizer que a visão periférica do filme é fantástica, a ideia de um África moderna que conserva a sua ancestralidade e suas praticas espirituais, que nos remete a uma visão progressista que desmascara o mito alimentado a décadas a fio sobre o paradoxo, cultura, tradições e modernidade.

Wakanda em Black Panther é tratada oficialmente pela ONU como um País do 3º mundo, e como sabemos a denominação de 3º mundo é uma condição politica de pobreza produzida pelos adventos do colonialismo Europeu, porém a analisarmos estes aspecto particular, concluímos que Wakanda vive rodeada de miséria, violência, guerras, pobreza, doenças, conflitos étnicos, Wakanda não intercede pelo mundo exterior apesar de possuir tecnologia elevada em todos os campos, tecnologia essa que em diversos aspectos poderia ajudar Nações Africanas decadentes, podemos afirmar que Wakanda é conivente com a violência do poder colonial conquistado pela violência da história, uma Nação que se aparta da história, e usa os seus recursos e poder tecnológico, para se acovardar da realidade Africana, e ocultar o seu papel de um Estado-General, na defesa dos interesses comuns de todo um continente, o comportamento politico de Wakanda, manda uma mensagem subliminar sobre o mito da invencibilidade do sistema de supremacia branca.

Existe uma negação de Tchalla na questão clocada por Erik Kilmonger,quando afirma a sua pretensão de conquistar o mundo e criar uam nova era sob dominio Africano, Tchalla diz que "não somos como brancos" mas na verdade é um contrasenso, pois que tolera o mal, compactua com ele, quando se tem poder para inverter a história mas se escolhe a neutralidade citarei Martin Luther King " Não me espanta o grito de terror dos maus, o que me assusta é o silêncio dos bons".

A natureza Africana de negação do comportamento cultural Europeu com é uma faca de dois gumes no actual contexto que o mundo vive, e exprime em certa medida a ingenuidade dos Africanos, mais de meio século de dominação Europeia no mundo, mais de meio século de civilização Ocidental, o mundo esta incrivelmente desbalanceado, as energias, as sociedades foram infectadas, o comportamento individual e colectivo foi influênciado pelas frentes de guerra cultural da Globalização, existe uma consciência de aniquilação, é necessário caos para que se estabeleça uma nova ordem, negar isso é adiar, o conselho politico ancestral de Wakanda parece preservar a amnésia histórica e a abstenção dos problemas Africanos.
Ishipdo/Vibranium, Coltán Kongolês? Kongo Anti-tese de Wakanda?

Em África existem poucos Países que passam pelo terror ineterruptamente como o Kongo, toda violência desde a violência do colonialismo Belga, as ditaduras comtemporâneas, o cenário de terror e violência permanece inalterado, o País mais rico, espiritualmente abençoado de África, é vitima histórica de uma conspiração secular pelo controlo de seus recursos, entre eles o coltán que muito se parece com o Vibranium devido a sua aplicação no campo tecnológico, Kongo nos parece uma anti-tese de Wakanda, em que o povo não controla os seus recursos e as corporações Internacionais actuam de forma quase ominipresente na desistabilização daquele território Africano na defesa os seus interesses, sendo que ao contrário de Wakanda, kongo vive um genocídio negligenciado pelos próprios Africanos e pelo mundo que se beneficia da pilhagem sistemática dos seus recursos.

Outro ponto é a irmã de Tchalla, a jovem adolescente embora seja isso mesmo, ela transparece a ingenuidade, que em diversos aspectos nos leva de volta a história ds mestres Africanos dos pensadores gregos, Aristóteles, Platão, Socrátes, a figura biblica de Moisés em (Atos 7:22), que foram alunos em escolas do mistério em Kemet, e forjaram as bases culturais da sua civilização pelos ensinamentos recebidos, então regressaram a Kemet para toma-la.

Em Guerra Civil o Rei Tchaka de Wakanda é assassinado em uma na sede das nações Unidas, nos quadradinhos e em BDs os supervilões são autonómos e não se estabelece uma ligação entre as suas acções e as agendas do sistema, porém na realidade não é assim, os supervilões na realidade são productos do sistema, desde a AlKaeda,Boko Haram, Bin Landem, os Talibãs, os Muhajedins, a ISIS, o Daesh, os grupos terroristas são productos do próprio sistema em equações geopoliticas de dominação, neste caso o assassinato do Rei Tchaka seria uma agenda poltica externa capaz de levar Wakanda para um conflito externo, um evento de Guerra.

De uma forma ou outra Wakanda explora a mensagem de Martin Luther king, explora a Mensagem de Mahatma Ghandi e pseudo-salvadores como Nelson Mandela, e outros productos do humanismo Ocidental, Wakanda apesar de toda riqueza espiritual ancestral, funciona como uma Nação Neutra e ostracista no coração de África, desacreditando a unidade Africana como ponto de libertação total de África, podemos até sentir que Wakanda em determinado momento nos faz lembrar África do Sul, que ainda é considerada uma jóia Africana, uma potência Africana na questão do desenvolvimento, mas que vive uma profunda guerra racial histórica, encaminhada através de agendas a outros aspectos da vida daquele povo, a Engenharia social, as agendas Afrikaneers parecem ter uma efectividade assustadora, problemas como a xenofobia, e crises politicas, mostram uma classe politica sem poder económico capaz de proporcionar uma agenda politica mais inclusiva e participativa, a pobreza nas ruas do Soweto, a delinquência nos subúrbios de Gauteng, e em geral nas comunidades negras Sul Africanas, mostram um povo marginalizado, ostracizado, ao lado de cidades comerciais Metropolitanas luxuosas com um padrão de vida elevado, que parecem réplicas de Wakanda, sem escudos de camuflgem estes espaços metropolitianos em Johanesburgo, Cape Town, Pretória e outras cidades Sul Africanas, contam com um patrulhamento policial efectivo que impede a invasão dos excluídos e o acesso dos pobres a zonas nobres,privilegiadas por patrulhamento political implacável.

Porém Africa do Sul com toda sua estrutura de racismo e sequestro económico branco, chega a ser mais humana que Wakanda, Africa do Sul tem o seu nucleo económico controldo por pessoas brancas, e o poder económico se sobrepõe ao poder politico, já Wakanda se apresenta como um estado soberano, uma Nação completamente negra, que por vontade própria como um Sentinela (personagem cósmica da Marvel representante de uma raça antiga de observadores cósmicos proibidos de interferir nos destinos do Universo) opta voluntariamente pela neutralidade.
O comentário politico de Hollywood é contra a união das nações Africanas, é anti-UBUNTU.

Existe um Malcom X na personagem de Erik Killmonger interpretada por Michael B Jordan,talvez até mesmo a imagem de um revolucionário Internacionalista Africano, ele cresceu nos subúrbios de Ohakland, em uma das Nações mais racista e violentas do mundo, o ambiente de violência e subjugação onde os negros são tratados como negros, é a base da luta de Erik Kilmonger em Black Panther, desconheço as causas que levam Michael B.Jordan a associar o seu papel a Zé Pequeno do filme Brasileiro A cidade de Deus, mas creio que foi intencional para desviar do óbvio, Michael B Jordan was "playing" brother Malcom X "by any means necessary", Tchalla interpretado por Chadwick Boseman foi vriado em uma bolha de narcizismo civilizacional, e não compreende a necessidade da libertação dos Africanos na Diáspora, Wakanda se representa como uma Nação a margem da história em isolacionismo premeditado, compreende a história dos sequestros da violência e do colonialismo que criou diversas Áfricas fora de África, mas se neutraliza politicamente perante martirio histórico de todo um continente.

Uns pontos interessantes, pretos matam pretos guerreiam entre si para proteger a paz branca, que é um produto da violência da história.

Apesar de se manter oculta, Wakanda se encontra sobre ataque de forças exteriores, o terrorista Klaus é a prova contundente de que a invasão de Wakanda por uma Nação exterior é uma questão de tempo, a violação de fronteiras é descrita como um evento de fuga de Klaus no contrabando de Vibranium que conduziu a morte de vários Wakandianos inclusive o Pai de N´Joburi do clã dos Guerreiros da montanha guardiões das fronteiras de Wakanda, já existe claramente tráfico de Vibranium, é tudo uma questão de tempo.

O Elemento Messiânico Branco: O agente da C.I.A é representado como a boa vontade Branca, e acaba por reproduzir a expressão manipulada do idealismo Americano,Ross pertence a CIA uma organização de politica externa Americana, que esteve firmemente envolvida em eventos de assassinato de lideres Nacionalistas Africanos, golpes de estado, assassinato de líderes democraticamente eleitos em África, mas imagina como agente da CIA ele é um dos"Bonzinhos" esta é a tal máquina de lavagem moral de Hollywood.

A mensagem final do fascínio dos Africanos pela Europa e pelo mundo branco, é vista no final do filme quando Tchalla acompanhado da sua irmã visita o local onde tem origem todo o trama do filme, a irmã de Tchalla embora seja cidadã de uma potência tecnológica desenvolvida, descendente directa de uma linhagem real, ainda sonha em visitar a Disneylândia,Hollywood, Bervely Hills, o probblema nem é esse, mas a forma e a preocupação com que ela apresenta esta parte, podemos aqui afirmar sem sombra de dúvidas que embora Wakanda esteja oculta do mundo, e seja poderosa em tradições e culturas, ela não escapou ao predatório imperialismo cultural Ocidental.

Nakia, representa unidade Africana UBUNTU, Dora Milage, representa lealdade militar
A Rainha-Mãe interpretada por Angela Baset representa a matrilinearidade Africana
Zuri o Ancião representa a ancestralidade sacrdotal Africana Klaue representa o mercenarismo Eurocentrico Ross o agente da CIA, representa as agencias de inteligência que procedem qualquer ataque ou invasão.

A irmã de Tchalla representa o génio criativo Africano e a sua ingenuidade.
Isidro Fortunato Fortunato 19/02/2018
Analista/Palestrante/Afrocrata
Projecto UBUNTU 2018
E.G.O Eterna Gratidão do Oprimido

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe ficar o seu comentário.

Tecnologia do Blogger.