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segunda-feira, 22 de junho de 2020

António Muchanga diz que o ano letivo deve ser anulado


Números a dispararem, reabrir escolas seria um suicídio.Há um debate no país sobre a possível reabertura de escolas, sobretudo do nível primário e secundário, na ideia de que é possível dar aulas.

Só que, isso pode ser um grande suicídio, fazendo fé a realidade deste nosso país em que quando falamos de escola, não é apenas uma sala, mas sim tem muita coisa por detrás disso.

Neste assunto, há correntes que defendem essa reabertura, alegando que é possível criar condições para que os alunos não sejam contaminados. Outros, como eu claro, pensam diferente, olhando a realidade do nosso país quando se fala de uma escola, dos alunos e professores.

É preciso ter em conta que as escolas não estão apenas nas cidades onde os governantes visitam com aquele aparato e os alunos ficam o dia todo sem aulas. Este mais é vasto e com suas especificidades. “Temos escolas e temos escolas”, como se diz em linguagem popular.

O historial neste mês de Junho dá nos indicações bastante preocupantes. Os número de casos positivos tem vindo a disparar e de que maneiras. Portanto, quando pensávamos que a coisa estaria controlada, pelo contrário, me parece que estamos mesmo à caminho do pico, conforme previsões da Organização Mundial de Saúde(OMS).

A nossa pátria amada tem fragilidades em vários  sectores, então por favor, os que aconselham o presidente devem ter noção disto. Compreendo que o negócio das escolas é rentável, por isso que quando foi para dirimir o conflito entre os pais e as escolas, o governo sacudiu essa responsabilidade. Aquilo pode ter sido um sinal claro de que as escolas(privadas), tem donos com “costas quentes”.

Não façam isso com as escolas públicas. Saibam que há crianças em Majaua, Nipepe, Mugovolas, Tsangano, Missica, Muidumbe, Marromeu, Inharrime, Guijá, etc que só vão a escola por causa do nome. Porque na realidade, se fosse para olharmos o padrão de uma escola, se calhar não iriamos encontrar nada que dignifique aulas. Não tem carteiras, por vezes falta giz, apagador, etc. São essas escolas que ainda defendem que vão higienizar? Vão colocar balde, água e sabão? As crianças vão seguir o distanciamento exigido e vão também usar máscaras? Não nos enganemos...temos de ser sensatos. O ano lectivo está cada vez mais a caminhar para o fim. Por mim, o que se deve fazer é reprogramar  e pensar no ano que vem, uma espécie de “pós-pandemia”. Aqui, o Estado é desafiado a olhar o sector de educação com olhos de ver. Se até nas escolas da cidade falta água, acreditamos mesmo que lá onde me referi e noutros sítios haverá água em tanques?
Temos responsabilidades sim como país, mas quem gere o país e em particular o sector, deve também ter essa responsabilidade e pensar naqueles que estão aqui em baixo.

Enfim, por hoje termino aqui. Reitero os apelos da não estigmatização das pessoas, porque isso não resolve o problema da COVID-19, pelo contrário vai agravar. Já falei disso há semanas atrás e nestes dias assistimos esses actos. Não Falei Nada.

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