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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Grupo armado antirracista realiza protesto em um dos berços da Ku Klux Klan


Na tarde deste sábado (4), um grupo de cerca de 500 militantes pretos e pretas antirracistas, todos fortemente armados, realizou um protesto no parque de Stone Mountain, que fica na cidade de mesmo nome, na Georgia, sul dos Estados Unidos. O local é conhecido como uma espécie de santuário da Ku Klux Klan, organização de extrema direita conhecida por promover abertamente o ódio contra negros, judeus, imigrantes e pessoas LGBTQI+. Um vídeo divulgado pela internet, um dos integrantes da grupo NFAC (“Not Fucking Arround Coalition”, “Coalizão Não Estamos de Sacanagem”, em uma tradução livre) desafia os supremacistas brancos:
“Eu quero que o núcleo do Ku Klux Klan me escute: Não importa em que porra de lugar vocês estejam. Eu estou na casa de vocês! Onde vocês estão?”
O 4 de julho não foi por acaso. É o Dia da Independência dos EUA. A coalizão de Panteras Negras e milícias majoritariamente pretas se reuniu no monumento, historicamente ligado ao nascimento da Ku Klux Klan e mais recentemente foi palco de comícios de supremacistas brancos. Os líderes do grupo frequentemente interrompiam o protesto para desafiar os supremacistas brancos locais e os defensores da Segunda Emenda de extrema direita a “parar de se esconder”.
Reuniram-se vários manifestantes e a NFAC na massiva escultura de quartzo de nove andares que retrata o presidente confederado Jefferson Davis e os generais do sul Robert E. Lee e Stonewall Jackson. Davis era um racista e fervoroso defensor da escravidão. Como dono de plantação, ele tinha uma enorme quantidade de escravos. Há vários monumentos em homenagem aos confederados e a Jefferson Davis, inclusive uma “Biblioteca Presidencial Jefferson Davis”.
A enorme escultura representando os confederados é esculpida em uma montanha de granito em baixo-relevo e é o maior monumento confederado já criado. Os grupos exigem a sua remoção. John Bankhead, porta-voz da Stone Mountain Memorial Association, disse que as manifestações foram pacíficas e reconheceu que o local é frequentemente usado como um local de encontro para milícias da extrema direita.
“Somos uma milícia preta. Não somos manifestantes. Não viemos cantar, não cantamos. Não é isso que fazemos”, afirmou um dos líderes da NFAC. Um dos objetivos iniciais da milícia preta em Stone Mountain é enviar uma mensagem de que “estão abolindo todas as estátuas em homenagem aos racistas por todo o país, mas e essa?” perguntam, referindo-se a escultura maciça dos confederados.
Vídeos compartilhados por visitantes do parque no sábado mostraram vários membros da milícia preta respondendo a perguntas de motoristas confusos, perguntando: “Quem são vocês?” Um membro da NFAC imediatamente respondeu ao motorista branco com uma pergunta sobre reparações da escravidão.
Com gritos de ordem como “Black Lives Matter”, “Black Power” e “Hands up, don’t shoot”, o grupo marchava em direção ao monumento dos confederados. Mas afirmam que não são filiados ao Black Lives Matter. “Queremos mudanças que realmente nos ajudem permanentemente, não queremos [nenhuma] pequena mudança, queremos uma mudança real”, disse um dos militantes. Ele comentou que muitos grupos de direitos civis pretos marcham desde a década de 1960 contra o racismo e são amplamente ignorados.
“É vida ou morte aqui, é por isso que estamos aqui, dia após dia, praticando nossa Segunda Emenda, exatamente como os brancos”, disse um dos fundadores da NFAC durante a marcha. E afirma “Não permitiremos o assassinato de outra pessoa preta, seja por brancos ou pretos”, destaca.
O parque reabriu para o fim de semana de 4 de julho, após semanas de fechamento devido à pandemia de coronavírus. As chamadas para remover ou alterar o enorme monumento confederado foram reacendidas após o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, na cidade de Minneapolis.
“Não vejo milícia branca, os três porcento e todo o resto desses caipiras assustados. Estamos aqui, onde diabos vocês estão? Estamos na sua casa”, disse um militante da NFAC durante a marcha, usando um megafone.
Embora o parque tenha sido historicamente um ponto de encontro de supremacistas brancos, a cidade de Stone Mountain hoje em dia tem uma população majoritariamente preta.

Fonte:  
 

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